Terço cantado de Santa Luzia

Nesta quarta-feira, dia 13 de dezembro 2017, mais uma vez a Sra. Clarisse manifestou sua fé em Santa Luzia reunindo fiéis de Maripá de Minas em sua residência.

A razão pela qual todos os anos nesse mesmo dia ela recebe amigos em sua casa, é uma história de milagre. 

Descrição do ritual

No dia 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, acontece a cerimônia do terço cantado, um altar é preparado na sala, com quadros e imagens da santa, decorado com flores e sobre a mesa são colocadas velas e água. A casa permanece aberta.

 O cantador do terço reza em frente ao altar e participantes respondem, também cantando, todos os mistérios do terço, após a última oração do referido terço é cantado o Bendito de Santa Luzia por todos os presentes. O quadro de veneração pessoal de Dona Clarisse é passado de mão em mão, para que todos beijem, logo após em procissão pela própria residência os quadros são devolvidos aos seus lugares na casa.

CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS

O ritual

Programa:

Pai Nosso

Ave Maria

Amado Jesus

Ladainha de Nossa Senhora

Bendito de Santa Luzia (cantado)

Beijamento

Despedida                                                                                                                           Fotos

O “Terço cantado a Santa Luzia” é uma expressão cultural existente no município de Maripá de Minas – MG, e que se enquadra como uma manifestação cultural religiosa do catolicismo popular. Sua origem está associada a uma devoção particular, um pedido com promessa à Santa Luzia e o atendimento do milagre, por isso sua permanência tem caráter de “ex-voto”.

Assista ao vídeo:

Acontece desde o ano de 1950 tendo passado por algumas transformações pontuais que documentam aspecto importante da história desta manifestação. A devoção a Santa Luzia nesta família começou em 1950, com o nascimento de Ana Clarice da Silva Francisquini.

Como Ana Clarice nascera cega, sua avó conhecida por “Dona Biloca” começou a fazer promessas e rezar anualmente, em 13 de dezembro, um terço em homenagem a Santa Luzia. Clarice necessitava ser submetida a uma cirurgia para remoção de um grande tumor que tomava o seu rosto e sobretudo os olhos.

Em 1957, aos sete anos de idade de Clarice, a cirurgia foi marcada e por exigência de dona Biloca, para o dia 13 de dezembro, dia de Santa Luzia. Conta Dona Clarice, que na véspera da cirurgia, em 12 de dezembro de 1957, Dona Biloca começava a prepará-la para a cirurgia. Fazia orações e benzia o rosto da menina com um ramo de “vassourinha de Santa Luzia”.

Pedia para que a menina fosse curada e fez uma promessa:
Oh gloriosa Santa Luzia, se a Senhora ajudar a minha neta, fazer ela enxergar…deixar ela com vida…sem deixar ela deformada, todo dia 13 de dezembro eu hei de cantar seu terço e fazer com toda fartura. Ninguém chegará na minha casa sem ter o que comer… (Grifo nosso)

D. Clarisse Francisquini continua o seu depoimento
…minha cabeça começou a doer…doer muito…falei…Vovó…minha cabeça tá doendo…tá doendo…e nessa hora a carne do meu rosto estourou e jogou sangue para todo lado…minha avó começou a limpar e mandou eu abrir os olhos… e foi quando eu tive a primeira visão da minha vida. Esse quadro que tá aqui…com duas velas…uma de cada lado…

E assim, como relata a entrevistada ela passou a enxergar. E a avó partiu para o cumprimento da promessa. Como relata a depoente, atual mantenedora da manifestação:
Ela começou a organizar o terço a convidar a cidade inteira…Ela não deixou eu dormir aquela noite, com medo de que se eu fechasse os olhos não voltasse a enxergar.

Muita gente veio e a ajudou  a cumprir a promessa. O dono da padaria doou tudo que ele tinha no estoque e assim fizeram o primeiro terço cantado em louvor a Santa Luzia. 

Fonte: Ederval Santos Elias – Historiador

 

%d blogueiros gostam disto: